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Saúde Mental nas Redes Sociais

Foto do escritor: Natalia Fioravante
Natalia Fioravante
8 de jun. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 27 de jul.



Estamos conectados o tempo todo. Quantas vezes por dia você acessa suas redes sociais? Aposto que, assim como eu, várias vezes. Qualquer oportunidade é a chance de saber o que as pessoas estão falando, publicando, vivendo — um gesto simples e automático de pegar o celular. E com isso, somos invadidos por uma avalanche de informações de todo tipo.


Você já parou para pensar no impacto que essas informações têm na sua vida? Eu já parei, e a palavra "invadidos" não é à toa. Somos diariamente invadidos por ideais, por imagens que aparentam perfeição. Dentro de uma rede social, tudo parece incrível — e quando você menos espera, sente uma desmotivação, ou até uma falta de sentido na vida. Você nem imagina que esses sentimentos podem estar relacionados àquela olhada rápida na rede social: um corpo diferente do seu, que aparenta harmonia; um relacionamento aparentemente ideal; a foto do casal naquele restaurante incrível; a família sorridente, tão diferente da sua. Você se compara, gasta uma energia enorme nisso e, pior, nem percebe que sua saúde mental está sendo afetada — que você passa a desvalorizar o que faz, e muitas vezes quem é, porque não alcançou o sucesso ou a felicidade que acabou de ver numa postagem. Será que as redes traduzem a realidade?


Não há como negar: as redes sociais são algo incrível, que conecta milhares de pessoas ao mesmo tempo. Não estou dizendo que devemos abandoná-las — elas se tornaram parte das nossas vidas. O que proponho aqui é uma breve reflexão sobre o que é realidade e o que é postado. Quando comparamos nossa vida com a de outra pessoa, tendo como base só uma imagem, ficamos seduzidos por aquilo. Muitas vezes esquecemos que a vida é cheia de altos e baixos, que não cabem naquela imagem ideal do feed. O que você vê é só um recorte — será que toda a vida de alguém está numa foto?


O que você vê da publicação do outro é só um momento, não a vida inteira daquela pessoa. Por isso, não é justo com você se comparar: você não sabe, de fato, a dor, o medo, os sentimentos reais por trás daquele clique perfeito.


Quando você se compara, pode acabar minando sua saúde mental — se invalidando, desconfiando de si mesmo, se cobrando um sucesso em determinada área da vida só para se sentir alguém de valor. É claro que todos queremos um bom trabalho, um relacionamento que traga satisfação, alegrias — e postar fotos bonitas não tem nada de errado. Mas lembre-se: a imagem não traduz uma história de vida cheia de desafios, de dias bons e outros nem tanto. Por mais que a grama do vizinho pareça mais verde, nem a sua vida nem a do outro é uma felicidade constante.


Eu poderia terminar esse texto com dicas práticas — como limitar o uso das redes, algo que talvez você já sinta que faria bem. Mas prefiro deixar uma reflexão: tenha consciência de que um momento ou uma imagem não traduz uma trajetória de vida, e não define quem você é, nem quem o outro é. Precisamos soltar a idealização de uma vida perfeita e constantemente feliz — porque consumir essas imagens sem essa consciência gera uma ansiedade imensa depois.


Espero que essa reflexão te ajude a pensar no quanto você tem se cuidado no uso das redes sociais — o quanto a comparação e a busca por uma perfeição que não existe podem estar prejudicando sua saúde mental sem que você perceba.

Valorize quem você é e o que construiu até agora. Use sua rede social, mas cuide de você também: estabeleça seus limites. E se perceber que está difícil ficar longe das comparações, que não consegue cuidar do seu valor sozinho, procure ajuda profissional — a psicoterapia pode te ajudar nesse processo.


Natalia Fioravante

Psicóloga

 
 
 

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