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Você sabe o que é acolher as emoções?

Foto do escritor: Natalia Fioravante
Natalia Fioravante
8 de jun. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 27 de jul.


Sabe aquele dia que você acorda triste, chateado, ansioso? Pode ter acontecido algo que você não esperava: um desentendimento com o chefe, um relacionamento desfeito, um conflito na família. São inúmeras as razões possíveis para você não estar bem.

Nessas horas, o que você faz? Quer eliminar o desconforto na hora. Se distrai para não pensar no assunto. Se exige estar alegre e seguir em frente. Mas você sabia que, assim, não está acolhendo o que sente?


Vamos supor que seu relacionamento terminou. Você investiu nessa relação, mas ela não foi adiante. Tristeza, angústia e até raiva podem surgir — o que é normal e esperado nesses casos. Os sentimentos fazem parte da vida. Não existe um sentimento mais bonito ou mais adequado que outro, mesmo que muitas vezes nos ensinem assim.


Permita-se chorar e lamentar o ocorrido. É assim que você se acolhe, sendo empático consigo mesmo, com seu sofrimento e sua frustração. Isso não significa que você vai ficar para sempre se lamentando. Significa que você está se dando a oportunidade de cuidar do que sente, em vez de negar ou colocar debaixo do tapete. Sua vida vai continuar — estudos, trabalho, família —, mas consciente de que aquilo foi uma perda importante, e que tudo bem não estar bem por um tempo. Você não precisa correr atrás de sentir só "coisas boas".


Ficar do seu lado quando as coisas não saem como planejado, acolhendo o seu momento, é uma das coisas mais importantes que você pode fazer por si mesmo. Todos os sentimentos são válidos e têm sua importância. Não existe certo ou errado no que sentimos — existimos nós, dentro das mais variadas situações da vida, vivendo experiências que geram alegria e realização, mas também frustração, tristeza e medo. Isso é se acolher: pense que você fez o que pôde, e está fazendo o que pode, neste exato momento.


Ao longo do tempo de prática, fui percebendo nos atendimentos que as pessoas tendem a ficar assustadas quando sentimentos como tristeza e raiva vêm à tona — sentimentos que costumamos rotular como "ruins". Mas sentir faz parte de ser humano. No período de dor por uma perda, por exemplo, você pode sentir raiva. Isso não significa que você se define por esse sentimento. A raiva não define quem você é.


Nunca houve tanta necessidade de nos permitir sentir todas as emoções. Hoje ouvimos discursos de que, para ser feliz e ter sucesso, tristeza e frustração não têm espaço. Mas será que dá para ser feliz negando o que se sente? Quando negamos uma emoção, ela pode voltar mais tarde na forma de um distúrbio ou transtorno — porque o que você sentiu não desaparece só porque foi ignorado.


Comece a fazer isso por você. Não será de uma hora para outra que você vai mudar a forma como lida com suas emoções — isso leva tempo. Tenha paciência, esteja consigo mesmo, e exercite esse acolhimento aos poucos (a psicoterapia pode te ajudar nisso também, peça ajuda se precisar). Assim, quando chegarem os momentos mais desafiadores, você já terá construído dentro de si um lugar onde poderá se apoiar.


Por fim, uma observação: se você sofre de algum transtorno mental diagnosticado — depressão, transtorno de ansiedade generalizada ou outro — você também pode praticar esse exercício de acolhimento. Mas sei que, com uma questão psicológica mais consolidada, o processo sozinho fica mais complexo. Por isso, não se exija mais do que pode: procure um psicólogo ou profissional de saúde mental preparado para te auxiliar.


Natalia Fioravante

Psicóloga

 
 
 

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